28 de dezembro de 2010

Origem do calendário e suas curiosidades

Este é um calendário Egípcio é considerado o primeiro calendário conhecido da história da civilização. Já existía antes do ano 4000 AC.

Todos os calendários se baseiam nos movimentos aparentes dos dois astros mais brilhantes da abóbada celeste, na perspectiva de quem se encontra na Terra - o Sol e a Lua - para determinar as unidades de tempo: dia, mês e ano.

O dia, cuja noção nasceu do contraste entre a luz solar e a escuridão da noite, é o elemento mais antigo e fundamental do calendário. A observação da periodicidade das fases lunares gerou a idéia de mês. E a repetição alternada das estações, que variavam de duas a seis, de acordo com os climas, deu origem ao conceito de ano, estabelecido em função das necessidades da agricultura.

O ano é o período de tempo necessário para que a Terra faça um giro ao redor do Sol - cerca de 365 dias e seis horas. Esse número fracionário exige que se intercale dias periodicamente, a fim de fazer com que os calendários coincidam com as estações. No calendário gregoriano, usado na maior parte do mundo, um ano comum compreende 365 dias, mas a cada quatro anos há um ano de 366 dias - o chamado ano bissexto, em que o mês de fevereiro passa a ter 29 dias. São bissextos os anos cujo milésimo é divisível por quatro, com exceção dos anos de fim de século cujo milésimo não seja divisível por 400. Assim, por exemplo, o ano de 1.900 não é bissexto, ao contrário do ano 2.000.

Em astronomia, distinguem-se várias espécies de ano, com pequenas diferenças de duração. O ano trópico, também chamado de ano solar ou ano das estações, tem 365 dias, cinco horas, 48 minutos e 46 segundos. Compreende o tempo decorrido entre duas ocorrências sucessivas do equinócio vernal, ou seja, do momento em que o Sol aparentemente cruza o equador celeste na direção norte. Em virtude do fenômeno de precessão dos equinócios - causado por uma pequena oscilação na rotação terrestre - o ano trópico é mais curto que o ano sideral, que tem 365 dias, seis horas, nove minutos e dez segundos, tempo que o Sol leva para voltar ao mesmo ponto, em sua aparente trajetória anual. O ano anomalístico compreende o período de 365 dias, seis horas, 13 minutos e 53 segundos, entre duas passagens da Terra pelo periélio, ponto de sua órbita em que está mais próxima do Sol.

Dada a facilidade de observação das fases lunares, e devido aos cultos religiosos que freqüentemente se associaram a elas, muitas sociedades estruturaram seus calendários de acordo com os movimentos da Lua. O ano lunar, de 12 meses sinódicos, correspondentes aos 12 ciclos da fase lunar, tem cerca de 364 dias. Conforme a escala de tempo seja baseada nos movimentos do Sol, da Lua, ou de ambos, o calendário será respectivamente solar, lunar ou lunissolar.

No calendário gregoriano os anos começam a ser contados a partir do nascimento de Jesus Cristo, em função da data calculada, no ano 525 da era cristã, pelo historiador Dionísio o Pequeno. Todavia, seus cálculos não estavam corretos, pois é mais provável que Jesus Cristo tenha nascido quatro ou cinco anos antes, no ano 749 da fundação de Roma, e não no 753, como sugeriu Dionísio. Para a moderna historiografia, o fundador do cristianismo teria na verdade nascido no ano 4 a.C.

Classificação dos calendários

Em sentido amplo, todo calendário é astronômico, variando apenas seu grau de exatidão matemática. Classificam-se eles em siderais, lunares, solares e lunissolares.

Calendário sideral

Baseia-se o calendário sideral no retorno periódico de uma estrela ou constelação a determinada posição na configuração celeste. Para o estabelecimento do calendário sideral, há milênios, utilizou-se a observação do nascer ou do ocaso helíaco (ou cósmico) de uma estrela. Além do nascer ou do ocaso real de uma estrela, respectivamente, pelo horizonte leste ou oeste, chama-se nascer ou ocaso helíaco (ou cósmico) a passagem de um astro pelo horizonte oriental ou ocidental no momento do nascer ou do pôr-do-sol, respectivamente. Quando o astro nasce no momento do pôr-do-sol, ou se põe no momento em que o Sol nasce, diz-se que há nascer ou ocaso acrônicos. Nascer helíaco, portanto, é a primeira aparição anual de uma estrela sobre o horizonte oriental, quando surgem os primeiros raios de sol. Para evitar atraso no registro da data do nascer helíaco, os sacerdotes egípcios, que determinavam as estações em função desse fenômeno, eram obrigados a vigílias rigorosas. Algumas tribos do Brasil e da América do Sul serviam-se do nascer helíaco das Plêiades para indicar o início do ano. O primeiro calendário assírio se baseava no nascer helíaco da constelação de Canis Majoris (Cão Maior), cuja estrela principal, Sirius, tinha importante papel em sua mitologia.

Calendário lunar

A base do calendário lunar é o movimento da Lua em torno da Terra, isto é, o mês lunar sinódico, que é o intervalo de tempo entre duas conjunções da Lua e do Sol. Como a sua duração é de 29 dias 12 horas 44 minutos e 2,8 segundos, o ano lunar (cuja denominação é imprópria) de 12 meses abrangerá 254 dias 8 horas 48 minutos e 36 segundos. Os anos lunares têm que ser regulados periodicamente, para que o início do ano corresponda sempre a uma lua nova. Como uma revolução sinódica da Lua não é igual a um número inteiro de dias, e os meses devem também começar com uma lua nova, esse momento inicial não se dá sempre numa mesma hora. Por sua vez, na antiguidade, e mesmo depois, houve freqüentes erros de observação desse início.

Para que os meses compreendessem números inteiros de dias, convencionou-se, desde cedo, o emprego de meses alternados de 29 e 30 dias. Mas como o mês lunar médio resultante é de 29 dias e 12 horas, isto é mais curto 44 minutos e 2,8 segundos do que o sinódico, adicionou-se, a partir de certo tempo, um dia a cada trinta meses, com a finalidade de evitar uma derivação das fases lunares. Por outro lado, como o ano lunar era de 354 dias, observou-se que havia uma defasagem rápida entre o início do mesmo e o das estações. Procurou-se eliminar essa diferença, intercalando-se periodicamente um mês complementar, o que originou os anos lunissolares.

O calendário lunar surgiu entre os povos de vida essencialmente nômade ou pastoril, e os babilônicos foram os primeiros, na antiguidade, a utilizá-lo. Os hebreus, gregos e romanos também dele se serviram. O calendário muçulmano é o único puramente lunar ainda em uso. Com Júlio César, Roma adotou um calendário solar que predominou entre as populações agrícolas.

Calendário solar

Os egípcios foram o primeiro povo a usar o calendário solar, embora os seus 12 meses, de trinta dias, fossem de origem lunar. O calendário instituído em Roma, por Júlio César, reformado mais tarde pelo papa Gregório XIII e atualmente adotado por quase todos os povos, é do tipo solar, e suas origens remontam ao Egito.

O calendário solar segue unicamente o curso aparente do Sol, fazendo coincidir, com maior ou menor precisão, o ano solar com o civil, de forma que as estações recaiam todos os anos nas mesmas datas.

Calendário lunissolar

Baseia-se o calendário lunissolar no mês lunar, mas procura fazer concordar o ano lunar com o solar, por meio da intercalação periódica de um mês a mais. O mês é determinado em função da revolução sinódica da Lua, fazendo começar o ano com o início da lunação. Para que a entrada das estações se efetue em datas fixas, acrescenta-se um mês suplementar, no fim de certo número de anos, que formam um ciclo. Os babilônicos, chineses, assírios, gregos e hindus utilizaram calendários lunissolares. Atualmente, os judeus - que adotaram o calendário babilônico na época do exílio - e os cristãos se valem desse sistema para determinar a data da Páscoa.

Dia e noite

Nos calendários lunares e lunissolares o dia tem sempre início com o pôr-do-sol, como ocorre ainda hoje, no calendário judeu e muçulmano. No calendário solar, o dia começa com a saída do Sol, como no antigo Egito. Na Mesopotâmia o dia, para as observações astronômicas, começava à meia-noite, embora o calendário usual partisse do anoitecer. Os chineses e romanos adotaram também a meia-noite para o início do dia, uso que é seguido pelo calendário gregoriano.

Calendário maia

O calendário mais bem elaborado das antigas civilizações pré-colombianas foi o maia, e do qual deriva o calendário asteca. Tanto um como o outro tinham um calendário religioso de 260 dias, com 13 meses de vinte dias; e um calendário solar de 365 dias, constituído por 18 meses de vinte dias e mais cinco dias epagômenos, isto é, que não pertencem a nenhum mês e são acrescentados ao calendário para complementar o ano. Esses cinco dias eram considerados de mau agouro, ou nefastos. Um ciclo de 52 anos solares harmonizava os dois calendários, o religioso e o solar. A cada dois ciclos - 104 anos - iniciava-se um ano venusino, de 584 dias, um ano solar, de 365 dias, um novo ciclo de 52 anos solares e um ano sagrado, de 260 dias. Esse acontecimento era comemorado com grandes festas religiosas.

Calendário hebraico

Os judeus não adotaram o calendário juliano, em grande parte para que sua Páscoa não coincidisse com a cristã. O ano israelita civil tem 353, 354 ou 355 dias; seus 12 meses são de 29 ou trinta dias. O ano intercalado tem 383, 384 ou 385 dias.

O calendário hebraico introduziu pela primeira vez a semana de sete dias, divisão que seria adotada em calendários posteriores. É possível que sua origem esteja associada ao caráter sagrado do número sete, como ocorre nas sociedades tradicionais, ou que se relacione com a sucessão das fases da lua, já que a semana corresponde aproximadamente à quarta parte do mês lunar.

O calendário hebraico começa a contar o tempo histórico a partir do que os judeus consideram o dia da criação. No calendário gregoriano, tal data corresponde a 7 de outubro de 3761 a.C.

Calendário muçulmano

A civilização islâmica adotou o calendário lunar. Neste calendário o ano se divide em 12 meses de 29 ou trinta dias, de forma que o ano tem 354 dias. Como o mês sinódico não tem exatamente 29,5 dias, mas 29,5306 dias, é necessário fazer algumas correções para adaptar o ano ao ciclo lunar.

Trinta anos lunares têm aproximadamente 10.631,016 dias. Com anos de 354 dias, trinta anos totalizariam 10.620 dias, e por isso é preciso acrescentar 11 dias a cada trinta anos.

A origem do calendário muçulmano se fixa na Hégira, que comemora a fuga de Maomé, da cidade de Meca para Medina, que coincide com o dia 16 de julho de 622 da era cristã, no calendário gregoriano.

Calendário revolucionário francês

Um caso muito singular é o do calendário republicano, instituído pela revolução francesa em 1793, e que tinha como data inicial o dia 22 de novembro de 1792, data em que foi instaurada a república. Pretendia substituir o calendário gregoriano e tornar-se universal.

O ano passaria a ter 12 meses de trinta dias, distribuídos em três décadas cada mês. Estas eram numeradas de um a três, e os dias de um a dez, na respectiva década, recebendo nomes de primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi, septidi, octidi, nonidi, décadi. Deram-se, depois, às décadas, nomes tirados de plantas, animais e objetos de agricultura.

Dividiu-se o dia em dez horas de cem minutos, e estes com cem segundos de duração. As denominações dos meses inspiraram-se nos sucessivos aspectos das estações do ano na França. Aos 360 dias acrescentavam-se cinco complementares, anualmente e, um sexto a cada quatriênio.

O ano desse calendário revolucionário começou à meia-noite do equinócio verdadeiro do outono, segundo o meridiano de Paris. A eliminação das festas religiosas católicas, dos nomes de santos e, sobretudo, do domingo, insuficientemente compensado pelo décadi, indispôs a população. Teve curta duração e a 1º de janeiro de 1806 (com pouco mais de 13 anos), já no primeiro império napoleônico, foi restabelecido o uso do calendário gregoriano.

Calendários juliano e gregoriano

As origens do calendário juliano remontam ao antigo Egito. Foi estabelecido em Roma por Júlio César no ano 46 a.C. (708 da fundação de Roma). Adotou-se um ano solar de 365 dias, dividido em 12 meses de 29, 30 ou 31 dias. A diferença do calendário egípcio está no fato de se introduzirem os anos bissextos de 366 dias a cada quatro anos, de forma que o ano médio era de 365,25 dias. O esquema dos meses foi reformulado posteriormente para que o mês de agosto, assim nomeado em honra ao imperador Augusto, tivesse o mesmo número de dias que o mês de julho, cujo nome é uma homenagem a Julio César.

Como o ano trópico é de 365,2422 dias, com o passar dos anos se registra um adiantamento na data do equinócio da primavera. Caso fosse mantido o calendário juliano, haveria um adiantamento de seis meses no início das estações, num período de 20.200 anos. Para evitar o problema, o Concílio de Trento, reunido em 1563, recomendou ao papa a correção do inconveniente, que alteraria a data da Páscoa, em virtude dos ciclos de concordância das lunações com o ano solar.

Finalmente, em 1582, o papa Gregório XIII, aconselhado por astrônomos, em particular por Luigi Lílio, obteve o acordo dos principais soberanos católicos e, através da bula Inter gravissimas, de 24 de fevereiro, decretou a reforma do calendário, que passou, em sua homenagem, a chamar-se gregoriano, e é o mais perfeito utilizado até hoje.

Mesmo assim, apresenta algumas deficiências. Uma delas é a diferença com o ano trópico, que aliás não é importante para efeitos práticos. Mais relevante é a diferença na duração dos meses (28, 29, 30 ou 31 dias) e o fato de que a semana, que é utilizada quase universalmente como unidade de tempo de trabalho, não esteja integrada nos meses, de tal forma que o número de dias trabalhados durante um mês pode variar entre 24 e 27.

Além disso, nos países cristãos, a data em que se comemora a Páscoa é determinada por critério lunissolar, que pode acarretar variação de dias e conseqüentemente alterar atividades educacionais, comerciais, de turismo etc. Outro inconveniente é o de não existir um ano zero, o que obriga uma operação matemática estranha, para calcular a diferença em anos de um fato ocorrido antes do nascimento de Cristo, em comparação com outro, ocorrido na era cristã. Existem várias propostas para solucionar essas questões, nenhuma delas ainda adotada.

Apesar de representar um avanço, o calendário gregoriano demorou para ser aceito, principalmente em países não-católicos, por motivos sobretudo político-religiosos. Nas nações protestantes da Alemanha, foi adotado no decorrer dos séculos XVII (em poucos casos, antes de 1700) e XVIII (Prússia, 1775); na Dinamarca (incluindo então a Noruega), em 1700; na Suécia (com inclusão da Finlândia), em 1753. Nos cantões protestantes da Suíça, no princípio do século XVIII. Na Inglaterra e suas colônias, entre as quais os futuros Estados Unidos, em 1752. Nos países ortodoxos balcânicos, depois de 1914 (Bulgária, 1916, Romênia e Iugoslávia, 1919; Grécia, 1924). Na União Soviética, em 1918. Na Turquia, em 1927. No Egito, já havia sido adotado para efeitos civis desde 1873, mesma data em que foi aceito no Japão. Na China foi aceito em 1912, para vigorar simultaneamente com o calendário tradicional chinês, até 1928. No Brasil, então colônia de Portugal, que na época estava sob domínio da Espanha, o calendário gregoriano entrou em uso em 1582.

Os dias da semana

No Império Romano, a astrologia acabou introduzindo, no uso popular, a semana de sete dias (septimana, isto é, sete manhãs, de origem babilônica). Os nomes orientais foram substituídos pelos latinos, do Sol, da Lua e de deuses equiparados aos babilônicos. Por influência romana, os povos germânicos adotaram a semana, substituindo, por sua vez, os nomes das divindades latinas por aqueles das suas, com que mais se assemelhavam, exceção feita de Saturno, cujo nome se limitaram a adaptar.

Com o cristianismo, o nome do dia do Sol passou de Solis dies a Dominica (dia do Senhor, Dominus) e o Saturni dies (dia de Saturno) foi substituído por Sabbatum, dia do descanso (santificado). As línguas romanas, com exceção do português, conservaram as formas derivadas dos antigos nomes latinos, com essas alterações.

O português adotou integralmente a nomenclatura hebdomadária do latim litúrgico cristão, que designou os dias compreendidos entre o domingo e o sábado por sua sucessão ordinal depois do primeiro dia da semana.

No grego moderno prevaleceu prática semelhante. Em várias línguas germânicas, a cristinianização dos respectivos povos acarretou a substituição do dia de Saturno pelo de véspera do domingo (Sonnabend ou Samstag, alemão) ou, ainda, dia do Senhor (Lördag, sueco).

O domingo conservou o nome de dia do Sol. Em algumas línguas germânicas, o antigo dia de Odin tornou-se o de meio da semana (Mittwoch, alemão), que corresponde à quarta-feira.

Os similares germânicos de Marte, Mercúrio, Jove (Júpiter) e Vênus eram, respectivamente, Ziu ou Tiwaz ou Tyr; Wodan ou Odin; Thor ou Donar; Frija ou Frigg ou Freya.

Fonte: www.pypbr.com

História do Calendário

O Calendário

Não é freqüente nos perguntarmos o que vem a ser ``calendário''. Mais comum são perguntas ``como foi determinado o primeiro dia do ano''?, ou ``como se calcula a data do carnaval''?, ou ainda ``como se definiu os dias dos meses''? Mas, para mim, a pergunta ``o que é e como apareceu o calendário''? precede a essas todas pois é respondendo a ela que poderemos, talvez, respondê-las todas e perceber o quanto um calendário é importante em nossas vidas e a tudo aquilo que nos precedeu.

Os manuais nos dizem que calendário é um sistema de ordenamento do tempo com propósitos de organização da vida civil, observância das obrigações religiosas e marcação de eventos científicos. De origem astronômica o calendário possui unidades de dias, meses e anos, além das semanas, de origem arbitrária. Anos se agrupam em décadas e séculos, e séculos se agrupam em milênios. Os calendários todos são de inspiração religiosa. Todos se referem a uma cosmologia. O primeiro dia de um calendário geralmente recai sobre a origem do universo ou o nascimento de um agente divino.

É mais do que normal que o calendário tenha relação íntima com a religião. Sua elaboração, desde sempre, foi uma tarefa religiosa. Os sacerdotes sempre foram os guardiões do tempo. Se existe algo que garante a crença em deuses é a promessa de boas safras no futuro. Acidentes agrícolas garantiam a fome e provavelmente a morte por inanição. O homem, a partir do momento que assume sua condição sedentária, conhece essa lei muito bem. A possibilidade de dialogar e mesmo controlar o desejo dos deuses que governam os elementos da natureza marcou as relações do homem com o cosmos. E a religião foi o meio óbvio para isso.

A origem dos dias é evidente. Descobrir que o sol desaparece em um ponto e reaparece no ponto oposto parece-me o primeiro grande avanço intelectual da humanidade. É interessante verificar como essa percepção se manifestou em nossos ancestrais. Os egípcios, um dos povos mais prósperos da antigüidade, acreditavam que o deus Aton se encarregava de transportar o sol da ``terra dos mortos'' para o ``renascer'', na terra da reencarnação. Com isso era muito fácil deduzir que uma boa bajulada no deus Aton trazia a garantia que o sujeito também seria contemplado com o mesmo feliz destino do sol no renascimento. A orientação era muito fácil. O rio Nilo corre do sul para o norte. Logo, as terras do renascimento se situava na margem direita. Não havia margem para discussão. A situação ficou esquisita quando eles foram conquistar a Pérsia. O rio Tigre corre para o sul. Houve problemas até com a linguagem dos pobres egípcios.

A origem dos meses está nas lunações. A importância das luas nas marés, suas relações com as cheias, ressacas, etc marcam a determinação dos meses. A lua tem importância vital na navegação, seja por mar, seja por terra. Além de determinar as marés, sua luz auxiliava na iluminação noturna o que é determinante na segurança das caravanas em viagem.

Os anos são determinados através da alternância das estações. A complexidade dos calendários se dá porque os períodos dos calendários são incomensuráveis entre si. Afora a hora, 1/24 de um dia e a semana, 7 dias cujas definições são arbitrárias, não há como obter relação inteira entre os mes lunar e o dia, do ano com o mes lunar e com o dia. O mes lunar, também chamado mes sinódico possui 29,530589 dias e o ano trópico possui 365,242199 dias ou 12,368267 lunações na época de 1900. Todos esses números são dados dentro da precisão das medidas o que indica que em se aumentando as casas decimais, mais termos aparecerão.

Além das dificuldades inerentes na determinação do calendário, na antigüidade o que se via era a vontade de poderosos que se fazia valer ou a ocorrência de eventos astronômicos, como no calendário Maia, que definia a marcação dos dias e referências.

Calendário Egípcio

Esse calendário foi o primeiro a ser determinado por regras fixas. Consistia de 12 meses de 30 dias seguidos por 5 dias adicionais ao final do ano. Não havia correção para o ano trópico. Como conseqüência, o ano egípcio retrocedia em um ciclo de 1460 anos com respeito ao ano trópico. Esse período era conhecido como ``ciclo sótico''. Havia três estações determinadas pelo fluxo do Nilo: Cheias; Semeio e Colheita. A relação entre as estações definidas pelo Nilo e as estações naturais era feita pelo nascer heliacal da estrela Sirius, conhecida dos egípcios pelo nome de Sothis. A primeira aparição da estrela no céu da manhã, depois da sua conjunção com o sol determinava o início da contagem das estação das Cheias. Hoje a conjunção de Sirius com o sol se dá em 2 de julho e a primeira aparição subseqüente no céu da cidade do Cairo é em 10 de dezembro. A origem deste calendário foi lunar. Ele regulava os festivais em função das fases da lua. Aparentemente ``ajustes'' foram feitos, a posteriori, para conformar tal calendário a uma relação fixa com o calendário civil.

O calendário egípcio foi reconhecido pelos astrônomos gregos e tornou-se o calendário de referência da astronomia por muito tempo. Copérnico usou-o para construir suas tábuas da lua e planetas.

Ptolomeu Euergetes tentou, em 238 aC introduzir o sexto dia para cada quatro anos, sugerindo algo como o ano bissexto moderno. No entanto sua proposta não teve eco. Seus argumentos foram considerados apenas sob o império romano na mão de Augusto (26-23 aC) que introduziu tal modificação no calendário. Assim, no sentido de corrigir deslocamentos já mensurados, o ano egípcio correspondente a 23-22 aC em 29 de agosto do chamado calendário juliano, foi introduzido um dia a mais. O ano egípcio correspondendo 23-22 aC possui o mes correspondente a agosto com 30 dias. A partir de então, este mesmo mes voltou a possuir 29 dias salvo nos anos bissextos, quando tinha um dia a mais. Esse novo calendário passou a se chamar Alexandrino.

Esta reforma não foi aceita integralmente e os dois calendários permaneceram paralelos até pelo menos 238 dC. Os astrônomos e astrólogos mantiveram a notação antiga. Ptolomeu usava-o, salvo no tratado de fenômenos anuais em que o novo calendário tinha mais conveniência.

Os persas adotaram o antigo calendário egípcio em 500 aC. Não é bem certo se foi adotado exatamente ou com modificações. Os armênios ainda o adotam. Os três últimos meses do calendário armênio correspondem exatamente aos três primeiros do antigo calendário egípcio. Em seguida vêm os cinco dias finais, característicos deste. O calendário alexandrino é ainda usado na Etiópia, na igreja Cóptica e para fins de agricultura no moderno Egito e vizinhos do norte da África.

O Calendário Babilônico, Grego e Romano

O calendário na Babilônia era constituido de 12 meses lunares. O primeiro dia do mes era declarado quando aparecia a primeira lua no crepúsculo após a lua nova (que para eles era ``sem lua''). Para ajustar este sistema ao período definido pelas estações, um mes adicional era, casualmente, introduzido. O ano iniciava na primavera com o mes ``Nisannu''.

Os gregos, que adotaram o calendário babilônico fizeram uma modificação importante no ano de 432 aC através do matemático ateniense Meton. Este introduziu um critério de correção do ano lunar, através de 7 intercalações num período de 19 anos, conhecido por ciclo metônico. O astrônomo Callippus de Cizicus, em 330 aC, modificou este período, com uma correção a cada 4 desses ciclos, perfazendo um período de 76 anos, conhecido como período calípco, fazendo o ano médio, neste ciclo, valer 365,25 dias, muito mais próximo ao ano trópico verdadeiro. Os babilônios adotaram essas correções 50 anos depois.

Apesar das modificações tornarem a contagem dos anos lunares ajustados ao ano trópico, o calendário greco-babilônico não foi adotado em todas as regiões, visto que os países eram constituido por cidades-estados independentes. O resultado é que a datação de eventos na contagem do tempo juliano, por exemplo, é bastante difícil.

A exemplo dos gregos, os romanos também adotaram o calendário babilônico. É dito que o Rômulo, o fundador de Roma, proclamou o calendário baseado no grego nos anos de 700 aC. Contudo, contava-se apenas 10 meses, perfazendo 304 dias no ano: Martius, Aprilis, Maius, Junius, Quintilis, Sextilis, September, October, November e December. Os últimos seis meses se referiam ao número do mes no ano: quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono e décimo. Os 61 dias restantes caiam no inverno. Aparentemente os romanos não faziam muita questão de considerá-los, pelo menos no início.

O Pontífice observava a lua após a lua nova e proclamava o início do mes. Tal ato se denominava CALARE e dizia-se do KALEND como o primeiro dia do mes (o dia da proclamação). Ao mesmo tempo em que marcava o KALEND o Pontífice também marcava o nones (quarto crescente) e o ides (lua cheia). A tradição manteve o termo ides (em português, idos) como o dia 15 do mes. Na peça Júlio César, de Shakespeare, um advinho disse a César: ``Cuidado com os idos de março''. No dia 15 de março, César teria se encontrado com o advinho e comentou: ``Então, os idos de março chegaram'', ao que o advinho respondeu: ``Mas não se foram''.

Segundo a literatura, o biógrafo grego Plutarco, que viveu no final do século I dC, confirma esta passagem como verdadeira. O diálogo teria sido travado entre César e o astrólogo Spurinna. A expressão ``Cuidado com os idos de março'' teria sido dito pelo astrólogo. Impressionado, César resolveu não sair da cama, naquele dia. Diz-se, então, que seu amigo Decimus Albinus Brutus (o filho adotivo de César era Marcus) convenceu-o que um homem de seu porte não podia se submeter a previsões supersticiosas de um astrólogo. No caminho do Senado, que naquele dia se reunia no templo a Vênus, encontrou-se com Spurinna e lançou-lhe a frase com desdém. A verdadeira resposta do astrólogo foi: ``Os idos de março chegaram, mas ainda não passaram''.

César foi assasssinado ao chegar, diante da estátua de Pompeu, no dia 15 de março de 44 aC.

O termo nones para designar a lua em quarto crescente se deve ao fato que, sob certas condições entre a lua nova (``sem lua'' para os romanos) e o quarto crescente decorrem 8 dias. Vide, por exemplo o mes de julho de 1998. No primeiro dia se dá a lua crescente e no dia nove foi a lua cheia. Procurando-se um pouco, verifica-se o mesmo entre as luas nova e quarto crescente.

O termo Março vem de Marte, o deus romano da guerra. Tirando esse termo e os que denotam o número do mes, os nomes dos outros meses são objeto de uma certa polêmica.

Abril: Enquanto existem aqueles que associam o termo a uma corruptela de Aphrodite, aphrilis, outros dizem ter o nome relação com um herói mitologico ou deus chamado Aper ou Aprus.

Maio: Homenagem à deusa Maia, filha de Atlas. Junho: referência à deusa Juno. Contudo há referências a alusões que maio e junho vêm de ``velho'' e ``jovem''.

Julho: Em uma revisão do calendário, em 8 aC, o imperador Augusto ofereceu a mudança de nome do mes ``quintilis'' para julius em homenagem a grande imperador Júlio César, e de quebra, aproveitou e mudou o mes ``sextilis'' para Agosto ou augustus.

O segundo rei de Roma, Numa Pompilius adicionou os dois meses que faltavam no ano. Não há consenso se os meses de janeiro e fevereiro tenham sido adicionado ao final do ano ou se janeiro tenha sido acrescentado no início e fevereiro no fim. Sabe-se que já em 425 aC, janeiro se encontrava no início do ano e o mes de fevereiro foi levado a intercalar entre janeiro e março. Uma corrente defende que, para os romanos o ano iniciava em março e terminava em fevereiro. A reforma do calendário promovida por Júlio César, criando o calendário juliano, acrescentou o ano bissexto. Fevereiro, que possuia, inicialmente, 23 dias, passou, mais tarde a ter 28 dias, ganhou um dia a mais, de quatro em quatro anos.

Janeiro é um nome que deriva da homenagem ao velho deus Janus, associado à origem do universo, regendo o caos. O nome fevereiro parece derivar de februa, chicote de pele de carneiro com o que se procurava ``purificar'' ou ``penitenciar-se''. Nos ``idos'' deste mes, os romanos observavam o festival da Lupercalia, quando mulheres estéries eram chicoteadas na esperança de se tornarem férteis. Tal associação, contudo, dizem os historiadores ser improvável. De qualquer forma o verbo februare, parece se relacionar com penitência.

Antes da reforma juliana, os meses chegaram a possuir, alguns, 22 ou 23 dias. O ano chegava a ter, no máximo 355 dias. Para corrigir para o ano trópico, um mes era acrescentado. Chamava-se Mercedinus, em referência a merces, ou salário, pois se dava na época do pagamento de empregados. Podia também se chamar ``intercalaris'', de onde a palavra moderna deriva.

Após a marcação de ``Ides'', a metade do mes, a contagem se dava regressivamente. O período de ``kalendas'' era, portanto, o mais longo de todos. Cobrindo, logo após a proclamação da lua cheia até logo depois da lua nova.

A duração do mes, as intercalações, etc, eram de atribuição dos Pontífices que a usavam, muitas vezes, para suas conveniências, para alongar ou encurtar o período de um cargo eletivo, sendo objeto de muita corrupção. A reforma juliana veio para colocar um fim a essas ações arbitrárias. Essa reforma, também, fixou as datas, a contagem dos dias e a relação entre os meses, fazendo o calendário se parecer bastante com o que se tem hoje.

O Calendário Juliano

Em meados do século I aC, Júlio César engajou o astrônomo alexandriano Sosigenes para oferecer sugestões para uma grande reforma no calendário. Em 45 aC Júlio César baixou as leis modificando o calendário. Para ajustar o ano trópico de 365,25 dias, adotou-se o sistema de ano bissexto (de 3'66', dois seis seguidos) a cada quatro anos. Augusto teria introduzido mais modificações, mas não se sabe delas por completo. A contagem dos anos, a partir da era cristã, dá-se quando a igreja solicita ao abade romano Dionysius Exiguus que calculasse o ano de nascimento de Jesus. Naquela época, 325 dC contava-se os anos a partir do início do governo do grande imperador Deocliciano, embora já vigorasse a religião cristã como oficial. Exiguus determinou que o ano 248 da era deocliciana correspondia a 332 dC. Sabe-se, hoje, que Exiguus errou o cálculo de 4 anos. Por tradição, contudo, festeja-se o ano cristão como o definido por Exiguus. O sistema cristão inicia a era no ano I. O ano anterior a este é -I ou I aC. Muitos paises adotam a notação I aD, para denotar o ano I, depois de Cristo. ``AD'' representa a abreviação latina de anno dominum, ano de Cristo.

Nos catálogos astronômicos adota-se o chamado ``Dia Juliano'', contagem em que o dia começa ao meio-dia do dia civil anterior. A contagem do dia juliano é contínua. Valores quebrados, indicando momentos do dia, são admitidos. Adota-se o dia juliano ``1'' o primeiro dia ao meio-dia de 4713 aC.

O Calendário Israelita

O moderno calendário judeu foi adotado a partir de 359 dC pelo presidente do Sanhedrin, uma espécie de conselho, Hillel II. É um calendário luni-solar e tem propostas puramente religiosas. É adotado como oficial no Estado de Israel. O ano israelita é constituido de 12 meses salvo o ano ``bissexto'', que possui 13. Um ciclo, aparentemente metônico, rege a adoção do ano bissexto. O número de dias do mes varia de mes a mes e no mesmo mes, de acordo com o ano. Três tipos de ano são possíveis: o ano deficiente, o ano normal e ano completo. A Páscoa é sempre festejada no dia 15 Nisan. Este dia é calculado de tal forma que caia na primeira lua cheia depois do equinócio. Os critérios para escolher o tipo de ano é regido segundo critérios que ajuste o ano lunar ao ano trópico.

A contagem dos anos é de acordo com o mito da Criação, segundo a convenção, em 7 de outubro de 3761 aC.

O Calendário Gregoriano

O calendário vigente na maior parte dos paises do mundo é o calendário gregoriano. Essencialmente é o calendário juliano com alguma mudanças para acertar a adoção da Páscoa, principal festa cristã depois do Natal. Esta data seguia a da tradição judaica que é observada no dia 15 Nisan. Segundo o Concílio de Nicea, em 325 dC, o equinócio vernal foi fixado em 21 de março e a Páscoa seria o primeiro domingo depois da primeira lua cheia após este dia. Essa definição impunha o ciclo metônico à observância da Páscoa.

Esta prática vigorou até 1582 dC, quando o papa Gregório XIII promoveu a última reforma do calendário, introduzindo o calendário gregoriano. O equinócio verdadeiro aparecia cada vez mais cedo no calendário, fazendo a Páscoa avançar cada vez mais para o verão do hemisfério norte. Para corrigir a discrepância, Gregório eliminou 10 dias do mes de outubro de 1582, fazendo o dia 4 de outubro ser sucedido pelo dia 15. Introduziu o ciclo em que fazia de todo ano de centena não ser bissexto a menos daqueles divisíveis por 400. Essa medida ajustou o deslocamento do ano trópico. Finalmente, determinou que a Páscoa deveria cair nunca antes de 22 de março, nem depois de 25 de abril. Essa medida tornou o cálculo da Páscoa bem mais complicada e fez aparecer regras que tornaram sua dependência menos astronômica.

Tábuas com base no período metônico foram levantadas. Elas determinam a chamada ``lua eclesiástica''. Esta segue, via de regra, o comportamento da lua real, com algumas modificações. O equinócio vernal é fixado em 21 de março, mesmo que, eventualmente esse não seja o caso. No primeiro domingo após o décimo quarto dia da ``lunação tabelada'', é a Páscoa cristã.

A contar do ano I aC, cada ano é numerado de 1 a 19. Tal número é conhecido desde o fim da Idade Média como ``Número de Ouro''. O número de ouro é definido, portanto como o resto da divisão do ano por 19 somado com 1.

Uma letra - a exemplo das antigas tábuas de calendário romano marcando o dia do ``mercado'' no mes - determina, no calendário gregoriano, o dia da semana que inicia o ano. Com a ajuda de uma tabela com o número de ouro versus a letra dominical determinava-se o dia Páscoa num determinado ano, segundo o calendário juliano. O calendário gregoriano introduziu um número denominado ``Epacta'' que dá a idade da lua diminuida de 1.

Tudo isso tornou o cálculo do calendário gregoriano uma tarefa para iniciados. Felizmente com a ajuda de computadores foi possível estabelecer algorítmos que são capazes de estabelecer o calendário, como o que roda na homepage do Observatório Nacional.

A Reforma Anglicana

À época da reforma gregoriana a Igreja Anglicana já havia sido posta fora da autoridade do Vaticano e por isso não a aceitou imediatamente. Foram necessários mais de dois séculos para que os domínios dos bretões aceitassem o novo calendário, finalmente ele foi adotado em 3 de setembro de 1752, que foi sucessido pela supressão de 10 dias e assim os dois calendários passaram a se equivaler.

A defasagem que vigorou por dois séculos foi palco de um desencontro protagonizado por personagens do romance "O Pêndulo de Foucault" do genial escritor italiano Umberto Eco. Nessa trapalhada a cadeia dos pretensos encontros seculares entre os sucessores da outrora temida e poderosa Ordem dos Templários foi quebrada e provocou toda sorte de desencontros que Eco explora muito bem.

Verdade ou invenção, sabe-se que os remanescentes dos Templários refugiaram-se em vários pontos da Europa, como Eco descreve. Sul da França, Escócia e Portugal foram alguns dos "portos seguros" que os Templários se alojaram. Sob os auspícios do Infante Dom Henrique, esses remanescentes fundaram a Ordem dos Cavaleiros de Cristo em Sagres onde criaram as sementes para a bem sucedida aventura das Grandes Navegações do povo lusitano que marcaram definitivamente a história universal (e do Brasil), desde então.

As Festas Cristãs

Duas datas definem, independentemente, a seqüência de festas cristãs no ano: a Páscoa e o Natal. O Natal, adotado em 25 de dezembro determina o Advento, quarto domingo que antecede o Natal. A Páscoa determina as festas móveis.

A tabela abaixo lista as festas de antes e depois da Páscoa:

Dias antes da Páscoa Dias depois da Páscoa
Septuagésima 63 Preces 35
Quinquagésima 49 Ascenção 39
Cinzas 46 Pentecostes 49
Ramos 7 Santissima Trindade 56
Ressurreição 2 Corpus Christi 60

O carnaval, festa pagã, parece ter sido adotado antecipando o período da Quaresma, que vai da quarta-feira de Cinzas até a sexta-feira da Paixão (Ressurreição). Muitas parecem terem sido as origens do carnaval. Em Atenas, no século VI aC, parece ter alcançado o período de maior confusão e licenciosidade. Em Roma, eram festas associadas com a Bacanália, Saturnália e Lupercália. Nas Saturnálias, carros alegóricos atravessavam as ruas de Roma recheados de homens e mulheres em trajes mínimos a dançar e gestuar libidinosamente. Na Bacanália era tradição os senhores servirem os escravos em banquetes como também em desejos outros. Em Portugal, desde a Idade Média, eram praticados os ''entrudos'' com cabos de guerra, guerra de farinha e confete pelas ruas.

Conhecido é o carnaval de Veneza que irrompeu de alegria após a vitória da batalha de Lepanto, quando a frota otomana foi derrotada, na segunda metade do século XVI. Todos os anos é organizado o famoso ``Baile de Máscaras'' na terça-feira de carnaval, que entre os europeus é conhecida como ``mardi gras'', ou, terça-feira gorda, véspera de Cinzas.

O sábado de Aleluia e a Malhação de Judas parecem ser de origem portuguesa. A perda da conotação religiosa e a conseqüente relação com a política local e nacional condenaram essas práticas populares.

O Calendário Muçulmano

O calendário muçulmano é integralmente lunar. Os números de dias nos meses são intercalados entre 30 e 29 dias a menos do último, o 12o que pode possuir 29 ou 30 dependendo de uma série que se alterna entre 19 e 11 anos. O cálculo do calendário é feito de tal forma que completa 360 lunações em 10631 dias. A contagem dos anos se dá a partir do ``Hégira'', subida de Maomé aos céus, tida em 16 de julho de 622 dC.

O início do dia é considerado no poente da véspera do calendário civil. Duas datas são marcadas no calendário muçulmano, o Ano Novo, 1o Muharram e o mes sagrado do Ramadan, em geral, iniciando no 237o do ano.

O Calendário Indiano

Originalmente vigoravam cerca de 30 calendários na Índia, em função da região e da religião. Os mulçumanos adotam o calendário mulçumano e o calendário gregoriano é contado para fins oficiais.

A Reforma Nacional do Calendário, formalizado em 1957 da era moderna fez os anos serem contados segundo os mesmos critérios do calendário gregoriano salvo que a contagem dos anos, meses e dias esté defasada. Foi estabelecido que o dia 1 Chaitra de 1879 da era Saka seria a de 22 de março de 1957 dC.

Os critérios dos anos bissextos são os mesmos adotados no calendário gregoriano salvo que deve somar 78 ao ano Saka.

As festas religiosas e datas regulando o comércio são definidas astronomicamente segundo condições lunares e solares.

Abaixo uma tabela contendo as informações sobre o nome, início e duração dos meses do calendário indiano:

Nome

N. dias

Início

Mes

Caitra

30

22

Março

Vaisakha

31

21

Abril

Jyaistha

31

22

Maio

Asadha

31

22

Junho

Sravana

31

23

Julho

Bhadra

31

23

Agosto

Asvina

30

23

Setembro

Kartika

30

23

Outubro

Agrahayana

30

22

Novembro

Pausa

30

22

Dezembro

Magha

30

21

Janeiro

Phalguna

30

20

Fevereiro

O Calendário Chinês

A República Popular da China adotou o calendário gregoriano, introduzido pelos jesuitas em 1582, para fins oficiais após a revolução de 1911. No entanto, para festividades é adotado o antigo calendário chinês que parece ter sido introduzido em 2637 aC pelo Imperador Huangdi. É possível recuperar o traço deste calendário até remotas épocas do século 14 aC.

Ao contrário dos outros calendários, a contagem dos anos do calendário chinês se renova a cada 60 anos. Anteriormente, a contagem dos anos se fixava na vigência do reinado de cada imperador. Tal prática foi abolida em 1911. Uma contagem é feita pela combinação de duas palavras, a primeira advinda de um conjunto de 10 palavras de ``origem celestial'' e outras 12 do ramo terrestre. As palavras de origem celestial não possuem similar em língua ocidental e são: jia, yi, bing, ding, wu, ji, geng, xin, ren, gui. As palavras do ramo terrestre são nomes de animais: zi (rato), chou (boi), yin (tigre), mao (coelho), chen (dragão), si (serpente), wu (cavalo), wei (carneiro), shen (macaco), you (galo), xu (cachorro), hai (porco). As palavras celestes se combinam às do ramo terrestre em seqüência. Ao terminar a seqüência de uma delas, retoma-se do início. Assim em 12/02/2002 inicia-se um novo ano denominado yi-wu, para os ocidentais, simplesmente o ano do cavalo.

O calendário chinês é luni-solar, a exemplo do israelita. Não por coincidência, portanto, os dois se assemelham deveras. Como no israelita, há o período metônico. Os anos ``normais'' podem possuir 353, 354 ou 355 dias, enquanto que os ``bissextos'' podem ter 383, 384 ou 385 dias.

Um roteiro especial na China pode mostrar as maravilhas de mecanismos inventados pelos chineses na esperança de ``automatizar'' o cálculo do calendário.

O Calendário Revolucionário Francês

A França Revolucionária adotou um Calendário Republicano ao mesmo tempo que adotou o sistema métrico de medidas. A ``objetividade'' tanto do sistema métrico quanto do calendário deveria dar o mesmo fim para ambos. No entanto apenas o sistema métrico vingou e se impõe mais a cada dia que passa.

O calendário republicano era dividido em 12 meses de 30 dias mais 5 ou 6 dias restantes para completar 1 ano. O ano era suposto iniciar no equinócio outonal (da primavera no hemisfério sul). Os anos seriam contados a partir do primeiro ano da primeira República Francesa: 1792.

Os meses eram divididos em 3 décadas de 10 dias. Seus nomes seriam: Vendémiaire, Brumaire, Frimaire, Nivôse, Pluviôse, Ventôse, Germinal, Floréal, Prairial, Messidor, Thermidor, Fructidor. Os poetas Chénier e Fabre d'Eglantine e o pintor David se encarregaram de dar os nomes aos meses e aos dias. Os matemáticos Romme e Monge estabeleceram que a data gregoriana de 22 Set 1792 equivaleria a 1 Vendémiaire da ano 1 da República. Os nomes dos meses foram reunidos de forma a rimarem ``ao sabor da estação''. Os três primeiros indicariam o estado do ``outono'', os três seguintes, classificariam o estado climático do inverno, em seguida viriam os três meses primaveris e finalmente os três últimos sugerindo o calor ambiente. Os nomes dos dias em uma década eram de origem latina: primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi, septidi, octidi, nonidi, decadi. Era suposto se descansar no decadi. Os últimos 5 ou 6 dias do ano eram apelidados de: jour de la vertu, jour de génie, jour du travail, jour de l'opinion, jour dés récompenses, jour de la révolution, este último existente se o ano era bissexto.

Um calendário assim definido trazia os mesmo problemas do calendário juliano. Medidas foram tomadas para se corrigir que se assemelham às da reforma gregoriana. Porém não houve tempo de implantá-las, uma vez que Napoleão I aboliu o calendário Republicano em 1806. Ele foi reassumido, porém, durante a Comuna de Paris em 1871, para ser novamente abolido com a queda da Comuna.

As causas mais prováveis da não aceitação do calendário republicano francês são: a desaprovação do clero, que mesmo descartado do poder na revolução ainda exercia forte influência na população; e o fato da instituição da ``semana'' de 10 dias, o que suprimia um dia de descanso por mes. Com o tempo a população sentiu-se ludibriada em seus direitos.

O Calendário Maia

O calendário Maia é tido como um dos mais precisos e intrincados. Era composto de três partes: o da Contagem Longa, o calendário divino (Tzolkin) e o civil (Haab). Uma datação maia poderia se apresentar da seguinte maneira: 12.18.16.2.6, 3 Cimi, 4 Zotz.

O primeiro termo é o da Contagem longa e é composto por 5 partes. É uma contagem de dias e equivaleria ao chamado ``dia juliano'', adotado nos catálogos astronômicos. Da direita para a esquerda, teríamos:

6 kin (dias);

2 uinal (1 uinal = 20 kin);

16 tun (1 tun = 18 uinal);

18 katun (1 katun = 20 tun);

12 baktun (1 baktun = 20 katun)

Unidades extra-oficiais também eram adotadas, particularmente o alautun correspondendo a 63 milhões de anos é a maior unidade de tempo que se conhece entre povos antigos.

Os Mais contavam o baktun de 1 a 13 e adotavam a origem do calendário a data 13.0.0.0.0 que equivale ao calendário cristão a provavelmente uma das datas:

Data Maia

Juliana

Gregoriana

13.0.0.0.0

8 Set 3114 aC

13 Ago 3114 aC

13.0.0.0.0

6 Set 3114 aC

11 Ago 3114 aC

13.0.0.0.0

11 Nov 3374 aC

14 Out 3374 aC

As três datas correspondem a valores adotados entre os estudiosos.

O calendário que se segue é o Tzolkin, religioso. Uma numeração da semana de 13 dias e a nomeação de outra ``semana'' de 20 dias era indicado. Há uma sincronia com a data de longa contagem de forma que os valores de um e de outro não são combinação de números quaisquer. O nomes das semanas podem ser: Ahau, Imix, Ik, Akbal, Kan, Chicchan, Cimi, Manik, Lamat, Muluc, Oc, Chuen, Eb, Ben, Ix, Men, Cib, Caban, Etznab, Caunac. O dia 13.0.0.0.0 corresponde a 4 Ahau.

Finalmente temos o calendário civil, o haab, constituido de 18 meses de 20 dias cada, seguido de 5 dias extreas, chamados Uayeb, complentando o ano de 365 dias. Os nomes dos meses eram: Pop, Uo, Zip, Zotz, Tzec, Xul, Yaxkin, Mol, Chen, Yax, Zac, Ceh, Mac, Kankin, Muan, Pax, Kayab, Cumku.

O dia 13.0.0.0.0 corresponde a 8 Cumku.

A Semana

Pouco se sabe da origem dos dias da semana. Há quem sustente que trata-se de uma absoluta irracionalidade pois o ciclo de 7 dias não satisfaz qualquer condição astronômica, nem quanto ao período sinódico. Há quem diga o contrário, que o ciclo de 29.53/47,3... é uma conseqüência direta do ciclo sinódico. A semana, tal como a conhecemos hoje vem de Roma, adotada no século II ou I aC. Não se sabe se essa divisão vem da tradição judaica seguindo a história da criação bíblica. Os judeus numeram seus dias de 1 a 6 e descansam no ``Sabbath'', dia do descanso na Criação. O ``descanso'' semanal não era adotado pelos romanos, que preferiam interromper o trabalho em várias épocas do ano consagradas a festivais e festas religiosas.

A maioria dos países de língua latina, adota os nomes dados pelos romanos segundo os planetas-deuses: sol, lua, marte, mercúrio, júpiter, vênus e saturno. Com efeito, em francês adota-se: dimanche, lundi, mardi, mercredi, jeudi, vendredi, samedi, donde apenas o ``domingo'' se exceptua. No entanto, essa convenção é moderna, pois a tradição francesa atribui a este dia o nome de die soleil. Em espanhol encontra-se uma nomenglatura semelhante. Nos países de língua inglesa adotou-se os nomes ``teutônicos'' dos deuses correspondentes em latim. Exceptuando ``saturno'' (saturday), ``sol'' (sunday) e ``lua'' (monday), de resto, temos: Tiu (Marte), Woden (Mercúrio), Thor (Júpiter) e Freya (Vênus).

A adoção ocidental para o ``domingo'' como dia do descanso deve-se à tradição cristã de atribuir a ressurreição a este dia da semana.

A língua portuguesa é a única latina que contém excessões. Os dias numerados são de origem obscura. É possível que os portugueses adotaram a numeração dos dias como os judeus. Tanto é que a palavra ``sábado'' deriva diretamente do nome ``sabbath''. O termo ``domingo'' seria a licença cristã nesta denominação.

A hipótese de origens cristãs aos nomes dos dias em português também é aventada. A iniciativa teria partido do Papa Gregório XIII que estabeleceu a numeração dos dias para suplantar as denominações de origens pagãs. Porém, não existe confirmação para tal hipótese.

curiosidade

Problemas com o calendário juliano

Este deslocamento do equinócio no calendário, que não foi tomado em consideração pelos padres conciliares de Niceia, continuou a produzir-se à razão de um dia em cada 128 anos, causando várias preocupações à Igreja durante toda a Idade Média, visto que esse atraso poderia dar origem a novas discrepâncias sobre a data da Páscoa. O problema foi tratado nos concílios de Constança (1414) e Basileia (1436 e 1439), mas não foi possível chegar a qualquer acordo. Em 1474, o Papa Sixto IV encarregou Juan Muller de estudar o meio de reformar o calendário, mas este sábio alemão, conhecido pelo nome de Regiomontano, morreu dois anos depois sem ter apresentado as conclusões do seu trabalho. No concílio de S. João de Latrão (1511 a 1515) foi novamente abordado o problema e no de Trento (1545 a 1563) chegou a ser discutido um projecto de reforma que não pôde ser concretizado, apesar dos esforços do Papa Pio IV, dada a escassa preparação científica de então para reconhecer as vantagens.

Foi necessária a autoridade de um Papa com a cultura e a tenacidade de Gregório XIII para conseguir impor a reforma. Entretanto, o equinócio da primavera ocorria já por volta de 11 de Março. Depois de várias consultas a instituições científicas, em 1576 foi criada uma comissão encarregada de estudar o problema e as várias propostas existentes para o resolver. Nesta comissão, constituída pelos melhores astrónomos e matemáticos da época, teve papel preponderante o célebre padre jesuíta Clavius, que estudara matemática em Coimbra com Pedro Nunes.

Foi preferido o projecto de reforma apresentado pelo astrónomo Luís Lílio e comunicado em 1577 e 1578 a numerosos príncipes, bispos e universidades para darem a sua opinião. Só depois de analisadas pela comissão todas essas respostas, se resolveu adoptar finalmente o projecto de Lílio e em 24 de Fevereiro de 1582 Gregório XIII expediu a bula Inter Gravíssimas, que estabelecia os pontos essenciais do novo calendário.

Defeitos do calendário gregoriano

O calendário gregoriano apresenta alguns defeitos, tanto sob o ponto de vista astronómico (estrutura interna), como no seu aspecto prático (estrutura externa). Por isso, vários investigadores pertencentes a várias igrejas ou organismos internacionais e mesmo privados se têm ocupado activamente da reforma do calendário.

Sob o ponto de vista astronómico, o seu principal defeito é ser ligeiramente mais longo do que o ano trópico, o que se traduz por uma diferença de um dia em cerca de 3000 anos. Porém, esta pequena diferença não tem qualquer inconveniente imediato e uma reforma do calendário destinada a corrigi-la traria sérios problemas, porque iria criar uma descontinuidade com as consequentes complicações cronológicas.

O mesmo não acontece sob o ponto de vista prático, em que, de facto, se justifica uma modificação. Com efeito, o número de dias de cada mês é muito irregular (28 a 31 dias). O mesmo acontece com a semana, adoptada quase universalmente como unidade laboral de tempo, que não se encontra integrada nos meses e muitas vezes repartida por dois meses diferentes. Estas duas anomalias têm sérios inconvenientes numa distribuição racional do trabalho e dos salários, que são maiores do que à primeira vista se pode pensar. Até a própria economia doméstica se recente, visto que um salário mensal fixo tem de ser distribuído por um número diferente de dias.

Mais grave ainda é a mobilidade da data da Páscoa, que oscila entre 22 de Março e 25 de Abril, com as consequentes perturbações da duração dos trimestres escolares e de numerosas outras actividades (judiciais, económicas, turísticas, etc.) particularmente nos países cristãos em que as festas da Semana Santa têm uma grande importância.

Há ainda um outro ponto que julgo ser de interesse salientar. Diz respeito ao tratamento desigual que foi dado à Lua e ao Sol. Com efeito, os padres do concílio de Niceia e o Papa Gregório XIII ligaram o calendário ao Sol verdadeiro, mas tomaram para Lua pascal uma Lua média que, por vezes, se afasta bastante da Lua astronómica. Por esse motivo, podem dar-se desvios de uma semana ou mesmo de um mês na data da Páscoa.

Dada a importância do ciclo semanal no relacionamento entre os diferentes calendários e, inclusive, na resolução de algumas dúvidas, julgamos de interesse dizer mais alguma coisa sobra o assunto. No quadro junto estão indicados os respectivos nomes em latim e a sua correspondência com as línguas latinas. Só o português é que se afasta um pouco da tradição.

¾ Domingo: dia do Senhor. Dedicado ao Sol. O astro-rei era tudo para o homem primitivo: espantava as trevas, aquecia os corpos, amadurecia as colheitas. Enfim, o Sol era Deus; daí a designação de Dia do Senhor entre os latinos.

¾ Segunda-feira: dia da Lua. Depois do Sol e sempre no céu, a Lua era a impressão mais forte recebida pelo homem. Influía nas marés, no plantio, no corte das madeiras, talvez mesmo no nascimento das crianças. Daí a atribuir-lhe um dia da semana.

¾ Terça-feira: dia de Marte. Na escala dos poderes que governavam os céus, as trevas e os seres humanos, Marte pontificava. Era o senhor da guerra e, portanto, dos destinos das nações e dos povos. A sua influência era tão grande que, inclusive, no calendário romano lhe foi destinado um mês (Março).

¾ Quarta-feira: dia de Mercúrio. Era o deus do comércio, dos viajantes e dos ... ladrões! Mensageiro e arauto de Júpiter, protegia os comerciantes e os seus negócios; dada a importância que estas criaturas tiveram em todos os tempos e em todos os lugares, alcançaram para o seu deus a consagração de um dia da semana.

¾ Quinta-feira: dia de Júpiter. Honraria conferida ao pai dos deuses pagãos, comandante dos ventos e das tempestades. Daí a ideia de lhe atribuir um dia da semana, talvez para aplacar a sua fúria.

¾ Sexta-feira: dia de Vénus. Nascida da espuma do mar para distribuir belezas pelo mundo, Vénus representava para os pagãos os ideais da formosura, da harmonia e do amor. Daí a razão de merecer a homenagem de um dia da semana.

¾ Sábado: dia de Saturno. Saturno, deus especialmente querido dos Romanos, foi despojado, pelo uso e pelo tempo, da homenagem consistente em dar nome a um dia da semana. Em Roma eram celebrados grandes festejos em sua honra ¾ as Saturnais ¾ realizadas em Dezembro e que se prolongavam por vários dias. Mas a homenagem a Saturno, correspondente a um dia da semana, perdeu-se nas línguas latinas, em que se deu preferência ao termo hebraico Shabbath, que significa repouso, indicado na velha lei judaica como sendo o dia dedicado ao descanso e às orações. Mas a língua inglesa permaneceu fiei ao velho Saturno, chamando ainda ao seu sábado Saturday.


Fonte: www.daf.on.br

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